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quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Local do Crime - Ossos



Após uma preparação conveniente vê-se, ao microscópio, nos ossos, uma disposição de células em volta dos eixos vasculares: é sobre o aspecto, a dimensão e a distribuição desses "sistemas" que se pode esperar identificar a espécie em causa, pois, para isso, a serologia é muitas vezes impotente.

Os ossos são o material mais resistente do corpo humano e o que demora mais a deteriorar-se, "guardando" pistas que podem ser essenciais numa investigação.

Existem três tipos de fracturas: as antemortem (ocorrem durante a vida), as perimortem (ocorrem aquando da morte) e as postmortem (ocorrem depois da morte). Estas podem ser distinguidas, porque os ossos reagem de maneiras diferentes quando a pessoa está viva e quando se encontra morta.

Bibliografia:
CECCALDI, Pierre. A Criminalística. Publicações Europa - América

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Odontologia Forense


A odontologia forense aplica o conhecimento técnico e científico da estrutura dentária à identificação de cadáveres. Tal é possível porque os dentes são estruturas resistentes à putrefacção, ao calor, aos traumatismos e à acção de certos reagentes químicos. Além disso cada dentadura é específica de um indivíduo, não existem duas iguais.
Deste modo é analisado: o número de dentes; alterações de posição ou rotação; alterações congénitas ou adquiridas (hábitos, profissão); alterações patológicas ou traumáticas (cáries) e por último, a existência de tratamentos (amálgamas, coroas, próteses fixas ou removíveis). 
Outra forma de identificação é através das marcas de mordida, que funciona como uma espécie de impressão digital.



De facto, os dentes são frequentemente usados como armas, quer de defesa quer de ataque. O que possibilita a identificação do possível homicida. 

As marcas de dentes descobertas em alimentos encontrados no local do crime, por exemplo, também são analisadas. Com efeito, este tema já foi muitas vezes abordado na série televisiva CSI: Crime Scene Investigation.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Entomologia Forense


A entomologia forense consiste no estudo de insectos e outros artrópodes num contexto legal. Tem inúmeras aplicações como a determinação do tempo mínimo desde a morte através da medição dos insectos, o local em que ocorreu o crime e descobrir se a vítima ingeriu toxinas. Nada é subjectivo, "são apenas insectos a contarem uma história". Ao contrário das pessoas, as moscas "não mentem nem fazem suposições culturais". 
Os insectos constituem 90% da vida na Terra, são milhares de espécies e conseguem chegar à cena do crime antes da polícia. 
O principal pressuposto é que o corpo não está morto há mais tempo do que o necessário para os insectos chegarem ao cadáver e se desenvolverem. Assim, a idade dos insectos mais velhos presentes no corpo determina o intervalo postmortem mínimo.
Os insectos mais valiosos para a entomologia forense são as varejeiras (família Calliphoridae), uma vez que são geralmente as primeiras a colonizar um corpo após a morte, muitas vezes num espaço de horas.
Muitas outras espécies de mosca, escaravelho, vespa e traça estão associadas aos cadáveres, constituindo uma sucessão de insectos a colonizar o corpo, mas como tendem a chegar depois das varejeiras são menos úteis na determinação do intervalo postmortem mínimo.


A postura das varejeiras ocorre geralmente nos orifícios naturais, como por exemplo, a boca, o nariz, os olhos e os ouvidos ou noutros locais mais escuros e húmidos tais como dobras de roupa ou debaixo do corpo. Os ovos eclodem, nascendo larvas de primeiro estádio que crescem rapidamente, sofrendo duas mudas para passar pelo segundo e terceiro estádios até pararem de se alimentar.
Conforme a espécie, podem transformar-se em pupas no cadáver ou afastar-se em busca de um local apropriado.
Então, a larva contrai-se e a cutícula endurece e escurece, formando o pupário em forma de barril, no interior do qual a pupa sofre metamorfose, transformando-se numa mosca adulta. Quando a mosca emerge, a cápsula vazia do pupário fica para trás como prova duradoura do seu desenvolvimento.

Ciclo de vida de uma varejeira Calliphorídea (adultos, ovos, larvas de primeiro estádio, larvas de segundo estádio, larvas de terceiro estádio, pupários contendo pupas)

Num caso, o entomólogo forense pode deslocar-se pessoalmente ao local do crime a fim de recolher as espécimes de insecto do cadáver ou, em alternativa, recolher os espécimes durante o exame postmortem.




Fonte:
http://www.scienceinschool.org/2006/issue2/forensic/portuguese

terça-feira, 2 de agosto de 2011

CSI: Ficção vs Realidade




A ciência forense nunca foi um tema tão popular e tudo graças às séries televisivas.
Não há crime perfeito, um criminoso deixa sempre pistas para trás. É o que retrata a série televisiva CSI: Crime Scene Investigation. Um fio de cabelo, um pedaço de unha, pegadas e impressões digitais: todas estas pistas improváveis são ferramentas para se chegar ao criminoso. Um aparente suicídio acaba por se revelar um cruel assassinato, tudo isto apenas através da análise do tamanho do buraco da bala no corpo. Treinados nos antigos métodos de investigação, os especialistas da série procuram todas as evidências no local do crime. As suas conclusões são sempre surpreendentes. O motivo do crime e a identidade do culpado nem sempre são fáceis de descobrir mas tudo acaba por se resolver. No entanto a realidade é bem diferente.

Existem várias diferenças entre os métodos reais de trabalho e os métodos aplicados na série CSI. Por exemplo, na série, um indivíduo é dotado para recolher provas da cena do crime, fazer qualquer tipo de testes, analisar qualquer tipo de provas ou mesmo para interrogar os suspeitos.
Na realidade, tal não se processa deste modo, uma vez que a ciência forense abrange diversos ramos, por isso existem especialistas para cada tipo de tarefa. Existe um grupo de especialistas que são formados para apenas recolher provas da cena do crime, a que se dá o nome de Investigação. A investigação pode determinar se, em vez de ser ela própria a recolher provas, deverá ser o Laboratório (grupo de pessoas especializadas em análises de provas químicas ou biológicas). Quanto aos suspeitos apenas são interrogados pela Policia técnica.

Vemos também em séries, que um espaço se divide em laboratório, em sala de interrogatório e em escritório. Na verdade, isso não acontece. Depois das provas recolhidas, estas são enviadas para laboratórios tendo em conta o seu tipo. Em seguida, são esperados os resultados, e cada prova é analisada por ordem de chegada, o que condiciona o tempo de investigação, logo o processo não será encerrado tão rapidamente como vemos em CSI. Para além disso, existe também o tempo que os especialistas demoram a interpretar todas as provas e resultados.

Em ficção existem todo o tipo de aparelhos, para analisar todo o tipo de provas. Um pequeno aparelho distingue tudo o que se encontra numa peça de roupa, ou mesmo todos os químicos presentes no ar. Infelizmente ainda não temos este tipo de equipamentos na vida real, o que dificulta o trabalho dos nossos especialistas. Portanto muitos daqueles aparelhos que vemos facilitarem, em muito, a vida aos investigadores de CSI, nem sequer existem. Mesmo assim é afirmado que Portugal é um dos países que se encontra na vanguarda no que diz respeito à tecnologia forense.

Por outro lado, séries como CSI: Miami, CSI: Las Vegas e CSI: Nova York, foram responsáveis por fomentar o público a desenvolver um grande fascínio e respeito pela ciência forense, levando a uma grande procura nesta área, surgindo assim maior diversidade de cursos nas Universidades. Além disso, os investimentos no campo da pesquisa aumentaram. Muitos laboratórios foram equipados com melhores ferramentas de trabalho, o que proporciona uma melhor análise de provas e, por conseguinte, uma maior facilidade na resolução de casos.

Fontes:

Bioquímica Forense

     A Bioquímica Forense consiste na aplicação de técnicas bioquímicas padrão e ensaios nas investigações criminais, permite explicar os processos moleculares que ocorrem no cadáver.
     Em muitos casos, técnicas muito simples podem ser empregadas para determinar uma grande quantidade de informações sobre a natureza química de uma amostra de material que foi recolhido como evidência na cena do crime.



          Um instituto de análises forenses pode dividir-se em vários sectores: 


Química forense
     
-Identificação de drogas psicotrópicas;
-identificação e constatação de drogas “brutas” ou “in natura”: maconha, cocaína, crack, cola-de-sapateiro, ecstasy e outras;
-identificação de acelerantes de incêndio (resíduos), explosivos e outros materiais de interesse forense;
-análises de explosivos, por meio de reflatometria;
-análise de resíduos do tiro - residuografia.

Toxicologia forense

-Testes de imunoensaio cromatográfico para drogas de abuso em urina;
-análises toxicológicas em matrizes biológicas (sangue, urina, vísceras), com a finalidade de determinar a presença de drogas psicotrópicas e venenos em geral;
-perícia Indeterminada: pesquisa de drogas e venenos em geral em material não biológico;
-dosagem alcoólica em sangue;
-análise de bebidas alcoólicas: determinação de autenticidade;
-outras análises solicitadas por autoridade competente no campo da Toxicologia Forense.


Bioquímica forense 

-Pesquisa de esperma em materiais colhidos de vítimas de violência sexual e em outros materiais de interesse forense;
-teste imunológico para gravidez;
-teste de PSA (Antígeno Prostático Específico).


Imunohematologia

-Identificação de sangue "in natura" e em materiais forenses;
-pesquisa de sangue humano;
-tipagem sanguínea em material de interesse forense por gel centrifugação.

genética forense

-Análise de DNA humano para fins de identificação (paternidade, identificação de cadáveres, análises de crime sexual).

microvestígios


-Identificação de cabelo humano, animal e artificial;
-identificação de fibras naturais e sintécticas;
-análise de resíduos vegetais;
-análise de fragmentos de vidro, osso e outros materiais;
-análise de resíduos de terra e areia;
-análise tridimensional de pequenos objectos;
-análise de vestígios de sangue;
-análise de vestígios de tinta;
-outras análises de interesse forense.